quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

 Móveis Usados

 A dica de hoje é sobre restauração de móveis: meu ajudante quase sumiu dentro da gaveta…
Eu aproveitei aquele velho guarda-roupas do vovô.
Levei pra minha oficina na edícula do meu quintal
e ‘dei um jeito nele’ ! As pessoas perguntam:
 _”Como ficou o guarda-roupa?”
E eu respondo:
_"Vamos lá no quintal ver?”
(por isso, nem pense que vou postar a foto... venha ver!)

Agora o passo-a-passo pra você copiar:
* use a lixa mais grossa do kit da furadeira para tirar o verniz e vá afinando…
* quando aparecer a imbuia faça manual, com lixa 120 (principalmente partes entalhadas).

* limpe com um pano seco. Passe a mistura do cumpincida, do álcool e anilina gaúcha (não esqueça de medir e rotular quantidades da solução!) . E com pincel, vá tingindo as flores.
       Faça manutenção com cera incolor apropriada. Fica lindo como o meu, que agora guarda minhas ferramentas de scrapbooking e materiais para as aulas do ateliê. Experimente!



24/01/2010  JABUTICABAS e VERBOS

         É preciso reconhecer os frutos que a Providência de Deus nos dá. Não só de uma grande colheita. Também aquela de ao redor da nossa casa, no jardim, no canteiro da horta que nem fomos nós que preparamos. E nem semeamos, nem adubamos. Talvez simplesmente, uma vez ou outra, a gente rega. E, quase miraculosamente, a planta está produzindo. Produz em quantidade tão expressiva que até sobra. Dá o suficiente e mais. Dá para distribuir aos vizinhos, ao esmoleiro, ao albergue... Tudo sem planejamento prévio, sem investimentos e insumos, sem custo adicional.
      “Reconhecer” é um verbo que indica repetição. Implica, ao menos, duas vezes. Diante do dom gratuito, é preciso ficar encarando de frente que a abundância está ali esperando meu deleite, minha saciedade e meu agradecimento. Uma vez para conhecer, tomando posse do que me foi dado. Outra vez para direcionar os olhos para quem proveu tudo isso.
       Nem sempre, saciados, agradecemos. Mas eu parei diante das jabuticabas.
       Dei a mim esse prazer, esse direito, essa loucura. Abandonei o relógio para olhá-las bem e meditar divagações e louvores. Confesso: não resistí e fui “de boca cheia” de volta para o serviço doméstico. E mãos e idéias carregadas também. Estranhas essas bolinhas pretas. Sou gaúcha, da região serrana. Lá não vinga essa fruta. Elas parecem não ter graça nenhuma, essas ‘uvas sem cacho’ – um grão a cada vez, porém dentro da casca é doce como o mel.
      No Rio Grande do Sul a Providência me dava chuchu. Não faltava na sopa, na salada, na chimia. Que delícia! A gurizada comia e se fartava, depois enjoava e reclamava:
   - ‘Só tem isso?”
    Eu retoçava:
   - ‘Gente! Pára com isso!’
    Mas, no fundo, muitas vezes na ânsia de atendê-los eu me entretí fincando outras mudas. De tomate. De laranja. De pinheiro!
   Assim é o procedimento nosso quando não paramos para reconhecer a importância do talento que nos foi dado. Queremos ser felizes e nos iludimos atraídos por objetivos que talvez nunca alcancemos, pois estão longe demais de nós. Infelizmente essas ilusões (ou tentações) nos impedem de aproveitar o que está ao alcance da mão. Tentamos preencher necessidades, que realmente não temos, preocupados em providenciar por conta própria o que julgamos ser nosso sustento. Depois, cansados de trabalhar “em roça alheia” percebemos nossa insatisfação e “aquela fome” vem assolar nosso corpo e mente já acostumada com a rotina do “quero mais”. Configurados assim, famintos, lá estaremos nós, auto-suficientes, tomando o lugar d’Aquele que tudo pode e faz. O Senhor Deus. Borramos o projeto d’Ele com a borracha de nosso orgulho. Ou escondemos debaixo da camada do prático corretivo branco de nossa falta de coragem e firmeza.
   -‘Que se danem os outros; os irmãos; os que me amaram. ’
   - ‘Pára com isso!Tá errado!’
   É Nossa senhora e mãe que vem nos corrigir. A árvore está madura. Dela vem o consolo para as intenções frustradas.
   A lição da jabuticabeira é: se o doar está difícil, se não estamos suficientemente doces por dentro Deus sacia com Seu Amor e incorpora um novo sabor na missão nossa de todos os dias.
   Primeiro na mão d’Ele e, no seguimento, os grão no nosso alforje. Todo o resto, como condições de crescimento, Ele proverá.
   Abrindo os olhos, na luz do Espírito Santo, possamos reconhecer, ao redor, a Divina Providência que faz brotar conversão no marido cansado; na esposa briguenta; no pai ou mãe ausente; nos jovens lascivos e fúteis; nos maus humorados acompanhantes de jornada. Que aprendamos a cuspir as cascas e reter a polpa. Conjugando esses verbos apreendidos, para mudar situações e louvar pelas sementes do quintal. Com suas jabuticabas; chuchus; abobrinhas...

(publicado em Semanário Paroquial das Missões, por ocasião da Novena em preparação a festa de Santa Teresinha, 23 de Setembro de 2005)